O principal Orador foi o Filósofo e Sociólogo Jürgen Habermas, que a convite da Fundação falou sobre a Democracia na Europa, e que admitiu "No meu trabalho diário sentir-me-ia perdido sem o meu computador pessoal, mas não sou verdadeiramente um habitante do novo espaço virtual. Não participo nas redes sociais, não leio 'ebooks' e de tempos a tempos escuto os relatos da minha neta sobre o seu admirável mundo novo".
Dia 28 de outubro
assinala-se, em todo o país, o “Dia Internacional da Biblioteca Escolar”.
Este dia enquadra-se no “Mês Internacional da Biblioteca Escolar”,
segundo os princípios estabelecidos pela International
Association of School Librarianship (IASL). Para comemorar a Biblioteca
da ESEQ aliou-se a esta iniciativa promovendo um concurso para o logotipo da
Biblioteca.
Neste dia e ainda, como forma de o assinalar, a Biblioteca convida à leitura
de um extrato de “ A Cidade e as Serras” de Eça de Queirós, patrono da escola.
Só o relógio monumental, que marcava a hora de todas
as capitais e o curso de todos os planetas, se compadeceu, batendo a
meia-noite, anunciando ao meu amigo que mais um Dia partira levando o seu peso
– diminuindo esse sombrio peso da Vida, sob que ele gemia, vergado. O Príncipe da Grã-Ventura,
então, decidiu recolher para a cama – com um livro... E durante um momento,
estacou no meio da Biblioteca, considerando os seus setenta mil volumes
estabelecidos com pompa e majestade como doutores num Concílio […].
Torcendo molemente o bigode caminhou pôr fim para a região dos Historiadores:
espreitou séculos, farejou raças; pareceu atraído pelo esplendor do Império
Bizantino; penetrou na Revolução Francesa de onde se arredou desencantado; e
palpou com mão indeliberada toda a vasta Grécia desde a criação de Atenas até à
aniquilação de Corinto. Mas bruscamente virou para a fila dos Poetas, que
reluziam em marroquins claros, mostrando, sobre a lombada, em ouro, nos títulos
fortes ou lânguidos, o interior das suas almas. Não lhe apeteceu nenhuma dessas
mil almas – e recuou, desconsolado, até aos Biólogos... Tão maciça e cerrada
era a estante de Biologia, que o meu pobre Jacinto estarreceu, como ante uma
cidadela inacessível! Rolou a escada – e, fugindo, trepou, até às alturas da
Astronomia: destacou astros, recolocou mundos; todo um Sistema Solar desabou em
fragor. Aturdido, desceu, começou a procurar por sobre as rimas as obras novas,
ainda brochadas, nas suas roupas leves de combate. Apanhava, folheava,
arremessava; para desentulhar um volume, demolia uma torre de doutrinas;
saltava pôr cima dos Problemas, pisava as Religiões; e relanceando uma linha,
esgravatando além num índice, todos interrogava, de todos se desinteressava,
rolando quase de rastos, nas grossas vagas de tomos que rolavam, sem se poder
deter, na ânsia de encontrar um Livro! Parou então no meio da imensa nave, de
cócoras, sem coragem, contemplando aqueles muros todos forrados, aquele chão
todo alastrado, os seus setenta mil volumes – e, sem lhe provar a substância, já
absolutamente saciado, abarrotado, nauseado pela opressão da sua abundância.
Findou por voltar ao montão de jornais amarrotados, ergueu melancolicamente um
velho Diário de Notícias, e com ele debaixo do braço subiu ao seu quarto, para
dormir, para esquecer.
As novas tecnologias utilizadas em
imagiologia cerebral para estabelecer uma ponte entre a arte e a ciência, revelam
dados acerca da forma como o cérebro responde à poesia e à prosa. Cientistas da Universidade
de Exeter estão a realizar estudos através da aplicação de ressonância
magnética para visualizar as partes do cérebro que são ativadas em várias atividades,
incluindo a leitura.
Para realizar essa pesquisa, o professor Adam Zeman neurocientista cognitivo da
universidade e a sua equipe, examinou a atividade cerebral de treze
voluntários, todos estudantes de graduação e pós-graduação, enquanto liam prosa
e poesia. O estudo, que foi publicado no Journal of Consciousness Studies, revelou as áreas do cérebro que são ativadas em
resposta a qualquer material escrito. Este estudo comprovou ainda, que a
escrita carregada de carga emocional, desperta várias regiões do cérebro que habitualmente
respondem à música. Quando os voluntários foram convidados a ler uma das suas
passagens favoritas de poesia, os pesquisadores descobriram que as áreas do
cérebro associadas à memória foram estimuladas com mais intensidade do que
aquelas que são ativadas em qualquer ato de leitura. Isto indica, revela o
estudo, que a leitura de um poema é comparável a um ato de introspeção.
O dia dos Correios trouxe-me à memória o tempo de quando escrevia e
recebia cartas, ritual que fui esquecendo ao longo do tempo. Aos poucos fomos
deixando de nos debruçar no silêncio sobre aquela folha de papel onde cuidadosa
e refletidamente vertíamos palavras que haviam de cruzar mares e céus. Tenho
saudades daquele tempo em que havia tempo, e nos deslumbrávamos com cada carta
que recebíamos, com a chegada do carteiro, com as palavras sopradas, com o
perfume do papel, com a variedade de envelopes e selos que as adornavam. Um verdadeiro apelo aos sentidos!
Com a saudade veio também a lembrança deste "poema" feito carta, que Agustina Bessa Luís trocou com Eugénio de Andrade e que aqui transcrevo, para vosso deleite.
"Carta a Eugénio de Andrade, por Agustina Bessa-Luís (25.06.2005)"
Querido Eugénio
O melhor não são os sentimentos nobres das pessoas, mas o ácido prazer de amar seja o que for. Uma longa viagem nos une e nos separa. Nunca trocámos cartas porque essa débil força da confidência esteve sempre para nós fora de moda. Nunca deixámos que as palavras nos dessem lições. As palavras são como caminhos, umas vão dar a qualquer sítio que não nos importa conhecer; outras não servem para nada, e são as melhores.
A poesia não é feita de palavras, mas da cólera de não sermos deuses.
A Grécia, como a conhecemos, isso é que é poesia. O vento no fim da tarde em Delfos, o olival até ao mar, duma cor que já não me lembro. Nós não éramos profanos, mas argonautas em terra. Tenho ainda o medalhão de ouro, com Atena esculpida e a coruja ao lado. Tanta formosura para tão poucos iniciados!
Estou aqui a pensar que vou construir uma casa numa árvore do jardim, para navegar ao largo como o capitão Slocum, num iole de 12,70 toneladas de peso bruto. Daqui ao cabo Horn é um pulo. E sempre nos acenam os que ficam em terra, os lenços agitados pelo bom vento da costa. Somos navegadores solitários tentando não embirrar com o presidente do Transval que acredita que o mundo é plano e que não pode haver a volta ao mundo.
Um bom sorriso, e está bem assim.
Recordo ainda, a este propósito, uma pérola do cinema" O carteiro de Pablo Neruda" (Il Postino) do Realizador Michael Radford, um filme inesquecível, a ver e rever.
Escrito e ilustrado pelo consagrado autor Peter H. Reynolds, Above & Beyond fala-nos da importância dos 4 C's - Comunicação, Colaboração, (pensamento) Crítico e Criatividade no processo educativo. Tudo o que os alunos precisam para terem sucesso na escola e na vida em pleno séc. XXI.
Atreve-te e concorre ao II Concurso Internacional de escritores lusófonos Infanto-juvenis. Para concorreres deves ter entre 8 e 14 anos e apresentar a concurso contos, poemas ou canções.
Os melhores textos serão publicados numa antologia e apresentados publicamente em Portugal e em outros países.