segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Saber ler é fator de sucesso coletivo

Ilustração: Repinado via Jennifer Meagher  

O texto literário é o instrumento essencial no ensino/aprendizagem da língua portuguesa, inserido num programa educativo que valorize a interpretação, a capacidade imaginativa e o poder de análise. 
O professor tem, pois, ao seu dispor um leque de opções literárias, que são apresentadas nas Metas Curriculares, com diferentes temas, tipologias textuais, e que deverá selecionar tendo em conta o nível etário e escolar dos seus alunos. Na verdade, este aspeto é fundamental para a formação de leitores que gostarão de ler ao longo da vida.
Indubitavelmente, o texto literário projeta ao máximo a multifuncionalidade da língua, conciliando o prazer da leitura ao desenvolvimento da compreensão/expressão escrita. Essa leitura deverá ser atenta, reflexiva, capaz de esmiuçar sentidos, de ensinar a descobrir as potencialidades do português. Assim, espera-se de quem ensina que seja capaz de conduzir os alunos nesse processo de descoberta, que vai da palavra à frase e da frase ao texto, abrindo trajetos, navegando pelas linhas que desenham o texto escrito. E, da parte de quem quer aprender a gostar de ler, que se interesse, que se deixe surpreender pelas escolhas efetuadas. Em sintonia, professor e alunos traçarão o sucesso da aprendizagem da leitura, que será tanto mais rica quanto mais sentidos oferecer para desvendar, quanto mais vontade de folhear páginas despertar, transformando o livro no veículo fundamental do conhecimento do mundo.
Saber ler é, hoje e sempre, mais do que uma condição de sucesso pessoal, escolar, profissional e social. É o fator de sucesso coletivo de uma nação. Por isso, o direito à leitura tornou-se uma questão de justiça social, o que implica que uma das grandes prioridades de qualquer sistema educativo seja o desenvolvimento da competência de leitura para todos os alunos.
Saber ler e gostar de ler são os passos para o desenvolvimento. E quanto mais se gostar de ler, mais se lê e se sabe fazê-lo. Porém, só quem sabe ler, gosta de ler. Para isso a literatura é a mais do que a melhor opção. A literatura é a solução.
Texto de: Lúcia Vaz Pedro in Jornal de notícias acedido em7-10-13
 

domingo, 6 de outubro de 2013

(Re)Ler "As Bibliotecas" de Valter Hugo Mãe

«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.
Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.
Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas. Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.
As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.
Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.
As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.
Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho.
Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.(...)»
(Via por Amares, os livros)

Outubro - Mês das Bibliotecas Escolares

Sendo Outubro o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, aproveitamos para recordar o Decálogo de um Agrupamento/Escola Comprometido com a Leitura.

 
 
 
Decálogo de um Agrupamento Comprometido com a Leitura

«1. Um agrupamento de escolas comprometido com a Literatura é aquele que a considera como fonte de desfrute, aventura, ócio e diversão.
2. É aquele que inclui a leitura no seu currículo, convertendo a Literatura em matéria interdisciplinar com outras áreas curriculares.
3. É aquele que realiza uma seleção adequada dos textos, de acordo com os interesses e gostos dos seus alunos e alunas e as suas circunstâncias pessoais, familiares e sociais. [Isto sem abdicar de outro propósito essencial: o de fazer emergir necessidades e interesses dos quais a/o aluna/o não revele ainda consciência.]
4. É aquele que, por meio da Literatura, prepara a pessoa para receber e emitir mensagens de todo o tipo, comentar e desfrutar a leitura, adquirir e reajustar constantemente a sua cultura e fruir esteticamente.
5. É aquele que, por meio da Literatura, colabora na compreensão e tolerância das opiniões diferentes das do leitor, o motiva a lutar pela igualdade de oportunidades e pelo direito à saúde, orienta a sua afetividade, desenvolve a sua liberdade e dignidade, o leva a comportar-se responsavelmente, a assumir a sua identidade pessoal e social, a defender a paz, etc.
6. É aquele agrupamento de escolas que elabora uma planificação sistemática e coerente da Literatura, não só como objeto de estudo, mas sobretudo como enriquecimento da pessoa e espaço individual de prazer, ao longo da Educação Infantil, Básica e Secundária obrigatória.
7. É aquele que potencia (ou cria, se necessário) bibliotecas escolares e de aula.
8. É aquele que promove a leitura a todo o momento: através do exemplo das suas professoras e professores enquanto verdadeiros leitores, por meio de atividades extraescolares, de ócio e de férias, através de celebrações pontuais em torno do livro e da leitura, como o Dia Mundial do Livro, o Dia Internacional do Livro Infantil, o Dia da Poesia…
9. É aquele que dedica períodos de atenção individualizada a um acompanhamento de cada aluna ou aluno e, em consequência, se ajusta às suas necessidades concretas.
10. Um agrupamento de escolas comprometido com a Literatura é aquele onde as professoras e professores assumiram a responsabilidade de fomentar o amor pela leitura.»
(Garcia Sobrino et al.: 1994: 42; trad.de José António Gomes).

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Porque o Outono tem uma linguagem própria...


                                           
                                         Ilustrações de Anna Lazareva

Guia da Rutgers para principiantes na pesquisa de informação

  Os primeiros passos em pesquisa da informação   
                                                                                           
Rutgers Beginner's Guide to Research | School Libraries around the world | Scoop.it
 
 
    Clique aqui  www.libraries.rutgers.edu                                                    

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A nova BD de Astérix

Os irredutíveis Gauleses, sem Uderzo e Goscinny
 
 
Nova BD de Astérix, a primeira sem Uderzo e Goscinny, sai no dia 24, saiba mais aqui

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Quando começaram as pessoas a fazer livros? O que envolvia exatamente o processo?


      Os primeiros livros foram criados pelo povo sumério, quando este começou a escrever em tabletes de argila, por volta do ano 3.200 a.C. na Mesopotâmia, atual Iraque. O conteúdo, naquela época, era composto por leis, assuntos administrativos e religiosos, lendas e até poesia. Com o tempo, o livro ficou mais leve graças à descoberta de outros materiais, como o papiro, obtido a partir de uma planta egípcia, e o couro de animais, dos quais o produto mais conhecido é o pergaminho.
A região de Pérgamo (onde hoje é a Turquia) desenvolveu a técnica do pergaminho por causa de uma proibição de importar papiro já que esta região e Alexandria disputavam o posto de possuidoras da maior biblioteca do mundo conhecido.
Nessa época, o formato comum era o rolo ou o volume, feito de folhas de pergaminho coladas lado a lado. Essa colagem era depois enrolada em dois bastões de madeira ou marfim. Assim, as pessoas poderiam ler o pergaminho do modo a que estavam acostumadas quando usavam o papiro, ou seja, desenrolando de um lado e enrolando de outro. Convém lembrar que o papel só chegou à Europa trazido da China por mercadores árabes apenas no século XII.
Quando se reuniu uma coleção de páginas escritas para formar um códex – a forma primitiva de livro – foi inventado o ofício de encadernar livros. Com esta definição, um dos mais antigos livros conhecidos no mundo é um volume de seis páginas com 2500 anos, escrito em etrusco (a agora língua morta de uma civilização italiana pré-romana).
    Com o aumento da procura da Bíblia cristã, a criação de grandes livros começou a ganhar popularidade. Do século V até à Idade Média, os livros eram encadernados usando uma superfície de escrita de velino (couro de animal raspado com precisão) com lombadas lisas e capas de madeira, protegidas com fechos para impedir a humidade de deformar a sua forma.
      O velino era unido em várias folhas dobradas para formar um grupo de até oito páginas chamado secção em oitavo.
      Como secção, estas páginas seriam mais resistentes a rasgões quando cosidas. Eram depois encaixadas entre painéis de madeira e cobertas com o material de escolha do encadernador: tecido, couro ou até pedras preciosas e marfim para clientes mais ricos. De forma mais sangrenta, durante a Idade das Trevas e início da Idade Média, não era invulgar encontrar livros encadernados com pele humana.
in revista "Sábado"(texto adaptado)